Menopausa e dores nas articulações: existe uma ligação?
Entenda por que dores nas articulações podem aparecer na menopausa e quais sinais merecem uma avaliação mais cuidadosa.
Menopausa e dores nas articulações: existe uma ligação?
Muitas mulheres percebem que, durante a menopausa, começam a sentir dores nos joelhos, mãos, ombros ou quadris, especialmente ao acordar. É comum pensar que essas dores sejam apenas consequência da idade. Mas a relação pode ser mais complexa.
A queda do estrogênio nessa fase pode estar relacionada a mudanças nos músculos, nas articulações e na maneira como o organismo percebe a dor. Por isso, queixas musculoesqueléticas podem ser frequentes durante o climatério e a menopausa.
Isso não significa que toda dor articular esteja diretamente relacionada à menopausa. É importante observar a intensidade, a duração e outros sintomas que possam acompanhar o quadro.
O que o estrogênio tem a ver com as articulações?
O estrogênio participa de diferentes processos do organismo feminino. Durante a transição para a menopausa, a redução dos níveis desse hormônio pode estar associada a alterações que envolvem músculos, articulações e percepção da dor.
Por isso, algumas mulheres que antes não apresentavam queixas importantes podem perceber dores ou desconfortos musculoesqueléticos nessa fase da vida.
Joelhos, mãos, ombros e quadris estão entre as regiões que podem apresentar desconforto. A intensidade também pode variar bastante de uma mulher para outra.
Menopausa e artrite reumatoide: existe relação?
Além das dores articulares comuns nessa fase, existe outro ponto que merece atenção: a menopausa também aparece associada a um maior risco de artrite reumatoide, uma doença autoimune na qual o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar as articulações.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 na BMC Rheumatology, intitulada “Menopausal state and rheumatoid arthritis: a systematic review and meta-analysis”, reuniu 11 estudos para analisar essa relação.
Os pesquisadores encontraram cerca de 35% mais chance de artrite reumatoide após a menopausa. Entre as mulheres que tiveram menopausa antes dos 45 anos, a chance observada foi quase três vezes maior.
Esses resultados ajudam a mostrar por que dores articulares persistentes durante essa fase merecem atenção, principalmente quando aparecem acompanhadas de outros sinais.
Nem toda dor na menopausa significa artrite reumatoide
É importante fazer uma distinção. Isso não significa que toda mulher com dor na menopausa tenha artrite reumatoide. A maioria das dores articulares que aparecem nessa fase não representa essa doença.
A artrite reumatoide é uma condição específica e precisa ser investigada quando existem sinais compatíveis. Por isso, observar a evolução dos sintomas é fundamental.
Alguns sinais merecem atenção especial:
- Inchaço nas articulações;
- Rigidez ao acordar que demora a melhorar;
- Dor persistente ou que não apresenta melhora;
- Várias articulações doloridas ao mesmo tempo.
Quando esses sintomas estão presentes, especialmente de forma persistente, uma avaliação médica pode ajudar a identificar a causa da dor e determinar se é necessário investigar alguma doença articular.
Artrite reumatoide pode aparecer sem determinados marcadores nos exames?
Existe outro aspecto interessante observado em estudos sobre menopausa e artrite reumatoide. Algumas pesquisas encontraram associação entre a menopausa e formas da doença que não apresentam determinados marcadores nos exames de sangue.
Isso reforça a importância de não analisar uma dor articular apenas com base em um único exame. A avaliação médica considera os sintomas, o exame físico, o histórico da paciente e, quando necessário, os exames complementares.
E onde entra a terapia hormonal?
A terapia hormonal pode ser uma importante aliada no cuidado da mulher durante a menopausa. Além de contribuir para o controle de diversos sintomas dessa fase, o estrogênio participa da saúde dos ossos, músculos e articulações.
Algumas pesquisas sugerem que a reposição hormonal pode ajudar a reduzir dores musculoesqueléticas e apresentar efeitos favoráveis sobre determinados processos inflamatórios e autoimunes.
Esses possíveis efeitos, porém, precisam ser interpretados com cautela. Ainda existem questões sendo estudadas, especialmente quando se fala em prevenção da artrite reumatoide.
A terapia hormonal previne a artrite reumatoide?
Não é possível afirmar que a terapia hormonal deva ser utilizada especificamente para prevenir uma doença autoimune como a artrite reumatoide.
A terapia hormonal deve ser indicada de forma individualizada, considerando os sintomas da menopausa, o histórico da mulher, suas características clínicas, os benefícios esperados e os possíveis riscos.
Os possíveis benefícios sobre a saúde musculoesquelética podem fazer parte dessa avaliação mais ampla, mas não devem ser confundidos com uma indicação específica para prevenção da artrite reumatoide.
Olhar para a mulher como um todo
A relação entre menopausa, hormônios e dores articulares mostra por que o cuidado nessa fase não deve se limitar a um único sintoma.
É importante considerar os sintomas, a idade, o momento da menopausa, o histórico familiar, a saúde óssea, as condições das articulações e os objetivos de cada mulher.
Essa visão mais ampla permite diferenciar desconfortos que podem acompanhar a transição menopausal de sinais que precisam de investigação específica.
Quando existe dor persistente, inchaço ou rigidez prolongada, procurar avaliação médica é uma forma de compreender melhor o que está acontecendo e definir os cuidados mais adequados.
Menopausa e dores articulares: atenção aos sinais
Sentir dores nas articulações durante a menopausa pode fazer parte das mudanças que acompanham essa fase, mas não significa que a mulher precise simplesmente aceitar o desconforto.
Observar os sintomas e procurar orientação quando eles persistem é importante para que possíveis alterações musculoesqueléticas ou doenças articulares sejam identificadas adequadamente.
É justamente essa avaliação individualizada que faz parte da abordagem do Dr. Carlos José Benati, especialista na saúde da mulher, menopausa e terapias hormonais.
Cuidar da menopausa também significa olhar para músculos, ossos e articulações, buscando preservar saúde, mobilidade e qualidade de vida.
Dores nas articulações durante a menopausa merecem atenção
Se você sente dores persistentes, rigidez, inchaço ou desconforto em várias articulações, uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender as causas e orientar os cuidados mais adequados.
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